|
|
|
BRINQUEDOS MIRITI
|
 |
 |
|
|
|
Abaetetuba - PA
|
|
|
|
|
 arte popular
Os Brinquedos de Miriti*, uma fibra leve da palmeira
também conhecida como Buriti e chamada de isopor da Amazônia, são
fabricados há 200 anos no Pará.
Nascidos da
espetacular capacidade de adaptação do caboclo brasileiro à natureza que o
circunda, os Brinquedos de Miriti são a expressão da sensibilidade e da
representação ingênua do universo ribeirinho da região de Abaetetuba,
cidade vizinha de Belém, distante hora e meia de carro e balsa, ou duas
horas de barco, o transporte mais usado, talvez até pela calma e placidez
que a floresta e os igarapés sugerem.
Nome:
Serrador
Medidas: 4 x
31 x 8 cm
Código:
113.013
Nome:
Dançarinos
Medidas: 16 x
7 x 7 cm
Código:113.012
A confecção dos
brinquedos começa com a coleta dos talos (braços) da palmeira, no meio do
mato, em Sirituba, um logradouro que se atinge de barco.

O miriti
escolhido é de preferência jovem. Da planta se colhe apenas os
braços, onde estão as folhagens. Com isso, não é uma atividade
predatória, e sim sustentável, uma vez que a árvore é mantida viva e
crescendo.
Nome:
Dançarinos mini
Medidas: 3,5 x
10 x 2 cm
Código: 113.014
Para se obter a
matéria prima dos brinquedos os braços do miriti são descascados e se
aproveita apenas o miolo. As cascas que são bem flexíveis, depois de
secas, transformam-se em cestos, paneiros, varetas de papagaios e pipas. O
miolo, trabalhado com facões de mato, é alisado e transportado em feixes
para os produtores dos brinquedos. 
Nome:
Jacaré
Medidas: 27 x
5 x 10 cm
Código:
113.015
Os
artistas com ferramentas rústicas (normalmente facas e facões) esculpem e
montam peças segundo suas referências pessoais. Alguns especializaram-se
em barcos, outros em bonecos dançarinos, cobras, jacarés, madeireiros,
pássaros, insetos perfeitos, vaquinhas, aviões, rádios de pilha,
televisões. A escolha deste ou daquele motivo é parte da crônica
individual de cada autor ou família de autores.
Nome:Tatu
Medidas: 27 x
6 x 6 cm
Código: 113.011
Depois de
prontas, com as partes coladas e secas, é aplicado o desenho base da
pintura final feita por membros das famílias (homens, mulheres e crianças)
que repetem em cada peça o padrão estabelecido. Os brinquedos são
estocados e, à véspera do Círio de Nazareth**, são levados para
Belém, onde são expostos nas praças ou comercializados em girândolas.
As girândolas
são uma espécie de cruz com vários braços, também feita de miriti, onde
são espetadas ponteiras da casca do próprio miriti para amarração de cerca
de uma centena de brinquedos. A venda é feita pelos próprios artistas ou
amigos que trabalham neste período. Ao contrário de outras formas de
artesanato da região, como as réplicas de cerâmica marajoara ou
tapajônica, cujas referências estão em achados arqueológicos expostos no
Museu Emílio Goeldi, os Brinquedos de Miriti são uma manifestação
artística expontânea e reflexo da criatividade dos produtores seja no uso
de cores primárias e poucas misturas (azul, vermelho, amarelo, verde,
preto), seja na forma utilizada que sempre reflete o universo caboclo,
suas influências urbanas e afetivas.
Os Brinquedos
de Miriti, são exclusivos e inéditos. Eram somente encontrados em Belém,
no período do Círio de Nazareth. Hoje com o apoio do SEBRAE e do Governo
do estado do Pará, que implantou o Programa de Capacitação, foi
fundada a Associação dos Artesãos de Miriti de Abaetuba, ASAMAB,
que conta com mais de 100 integrantes. A possibilidade de renda e
trabalho, despertou o interesse de gerações mais novas que se uniram
e fundaram a Miritong, desenvolvendo novos produtos e novas
atividades.
Fonte de Pesquisa: texto de Cleber Papa publicado no site da
UOL, São Paulo Imagem Data; texto de Denise Ribeiro no site da
Folha, Folhinha, de 10/12/2005
Associação dos Artesãos de Miriti
de Abaetuba - ASAMAB
Fundada em 2002, a ASAMAB teve o apoio do
SEBRAE/PA e do Governo do estado, com o Programa de Capacitação, reunindo
os tradicionais artesãos de Abaetuba, que produziam suas peças para as
festividades do Círio de Nazaré. Hoje são 108 integrantes, e a
atividade geradora de renda dura todo o ano, e com novas
tendências.
A ASAMAB participou do Ano do Brasil na
França, em 2005, destacando o artesão Valdeli Costa, que ministrou
uma oficina de brinquedos muito visitada. Foram 2400 peças, todas
vendidas. "Eu estou muito feliz, construí minha casa e estou mantendo meus
quatro filhos na escola só com os brinquedos de miriti", comemora Valdeli,
que tem oito anos de ofício.
MIRITONG
A Miritong foi fundada pelo artesão
Valdeli Costa. É uma ONG para dar vazão à veia criativa dos
artesãos mais jovens. Também atua com outras iniciativas, como papel de
fibras naturais, dança, música e teatro. "Havia conflito de idéias
com os mais velhos e estamos tendo resultados muito positivos. Alguns
jovens que eram envolvidos com drogas agora se encontraram, fazendo
brinquedo", diz Valdeli, com a experiência de quem já foi dependente de
álcool. |
|
*MIRITI ou
BURITI
Nome
científico:
Mauritia flexuosa Família: Palmae

Foto: proximidades do Rio Koluene, Mato Grosso
Palmeira
conhecida como isopor na Amazônia, frequente também na região do Cerrado.
Dela se aproveita tudo: palha para cobertura de casas, fruto para
confecção de doces, seiva para fazer vinho, tala para cestarias,
folhas para a confecção de cordas, e o tronco para a produção de canoas,
brinquedos e esculturas. É matéria prima básica em muitas etnias
indígenas. Atinge até 35 metros. Possui folhas grandes, em
formato de estrela. As flores são dispostas em longos cachos de até
3 metros de comprimento e possuem coloração amarelada, surgindo de
Dezembro à Abril.
É
típica nas formações denominadas "veredas", onde acompanha um curso d'água
ao longo do sertão. Só sobrevive em locais alagados.
**CÍRIO DE NAZARÉ
Segundo a tradição oral dos mais velhos, o Círio de Nossa
Senhora de Nazaré surgiu do encontro de um agricultor e lenhador, chamado
Plácido José de Souza, com a imagem da santa, às margens do igarapé
Murucutu, onde está localizada atualmente a Basílica de Nazaré. O humilde
caboclo decidiu levar a imagem para sua casa, porém, ela retornou
misteriosamente ao local onde tinha sido encontrada. O ocorrido repetiu-se
várias vezes, até que Plácido resolveu construir, às margens do igarapé,
uma ermida tosca. Tal episódio tornou-se conhecido por toda a região como
milagroso, o que atraiu centenas de fiéis para ver de perto a imagem e
prestar-lhe culto. Desde então, o Círio é festejado em procissão de fé e
de longas caminhadas, na qual milhares de pessoas acompanham a santa pelas
ruas de Belém.
Fonte de Pesquisa: www.portalaz.com.br
|