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Yutá,
um dos melhores pescadores
mulher do cacique trança uma
rodilha, "pankãtive"
Lili,
muito risonha foi nossa guia
Cinto
Uluri, feito de buriti, usado pelas mulheres

Vera
tece uma rede de buriti e algodão
Iahati aprovando uma cachimbada |
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ÍNDIOS
MEHINAKO
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ver
ARTE
INDÍGENA
____________________ Uma vida simples e feliz
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Viagem do Ponto Solidário à aldeia de
Utawana
Às margens do rio Kurisevo, um dos
formadores do rio Xingu, encontra-se a aldeia nova dos índios Mehinako,
Utawana (que significa curva do rio), próxima à entrada do Parque
do Xingu. São 120 índios que habitam 10 pains (casas) dispostas em
forma circular. No centro há uma cabana, onde só os homens se sentam,
decidem os rumos da aldeia, assistem à luta capi, e ao jogo de
futebol, que ocorre todas as tardes. Para os índios somos brancos,
brasileiros, êles, índios e Mehinako. Mas no futebol somos todos
brasileiros, e os Mehinako, o time campeão de Gaúcha do Norte (MT), a
cidade mais próxima, a cerca de 40 km da aldeia.
Desde 2002, os Mehinako são fornecedores
do Ponto Solidário e estabeleceram conosco uma relação de amizade
convidando-nos sempre a visitá-los. Finalmente, em julho de 2005, tivemos
uma oportunidade. Foram poucos dias na aldeia, porém intensos e
deslumbrantes, numa rotina simples e feliz.
Pela manhã, após o banho de rio, as
mulheres preparam o beijú, que é a base da alimentação na aldeia. Não há
café, almoço ou jantar. Come-se quando se tem fome. Os homens saem para
plantar mandioca, trabalhar na roça, colher cipó ou pescar. O peixe é
dividido entre as casas, como tudo na aldeia, sempre compartilhado por
todos. Levamos alguns presentes: sabonete, sabão, anzol, roupas, e tudo
foi dividido entre as 10 casas e seus respectivos chefes. Desconhecíamos o
espírito comunitário e nossos presentes foram quase insuficientes.
Os Mehinako produzem um sal (cloreto de
sódio) que é muito mais salgado e gostoso. Só algumas mulheres sabem como
obtê-lo. É uma raridade, e moeda de troca entre as aldeias. É obtido em
lagoas da região, num aguapé de nome jacinto. Infelizmente a lagoa mais
próxima de Utawana fica em terra de branco e só na aldeia velha, onde
ainda vivem cerca de 80 índios Mehinako, é possível a extração.
A tarde é quente e as atividades são mais
reclusas entre os adultos. Dedicam-se ao artesanato, produzindo cestos,
redes, colares, pás de beiju e os bancos zoomorfos feitos de um único
tronco em formas de teme (anta), Yúper (tamanduá),
Yanumaka (onça), e outros animais da região.
Ficamos hospedados na casa do cacique
Iahati, que nos presenteou com a Festa da Taquara, na qual 5 lindos
jovens, ornados com pinturas e indumentárias tradicionais, dotadas de
toques pessoais, dançaram e tocaram durante toda uma tarde, seguindo de
paim em paim, inúmeras vezes.
No meio da festa 3 meninas entraram na
dança pintadas com urucum e jenipapo, trajando colar de lasca de caramujo
(walapi), colar de miçancas (kulá) e cinto uluri,
feito de fios de buriti que envolvem a cintura e um pequeno triângulo de
entrecasca colocado sobre o órgão genital, usado por todas as mulheres. O
antropólogo Darcy Ribeiro denominava-o de "o menor biquini do mundo",
e certamente inspirou o chamado fio dental.
A noite conversávamos, ora fumando um
cachimbo (presente nosso), ora cantando com as crianças e ouvindo
histórias da aldeia. Numa das noites o São Paulo jogou pela Libertadores.
Os homens, acordados até mais tarde, se sentaram calados no chão de uma
das casas, que possuía gerador e televisão. Assistiram ao jogo, sem berros
ou euforia como estamos acostumados. Ficamos com sono.
Saímos de São Paulo com alertas que nos
decepcionaríamos. Mas não foi assim. Ficamos felizes ao perceber que pelo
menos os Mehinako ainda mantém muito do seu modus vivendi original.
Mesmo sendo tão nova a aldeia de Utawana, com cerca de um ano e meio, suas
casas conservam o mesmo estilo da aldeia velha e estão quase finalizadas.
Já é colhida a mandioca e a vida segue seu curso normal, embora tenham
passado fome enquanto aguardavam a colheita. De fato, se utilizam de
alguns confortos do branco, como barco a motor, anzol de pesca, mas sem
detrimento da sua identidade cultural.
Foram 4400 km rodados, ida e volta, e
nossa tristeza ficou por conta do caminho que seguia por fazendas e mais
fazendas. As vezes araras azuis, sempre em pares, e tucanos cruzavam a
estrada. E por vezes oásis de Buritis embelezavam o cenário. Não
encontramos florestas de cerrado em todo o percurso, e sim árvores
derrubadas e queimadas.
Felizmente, e muito pela luta dos irmãos
Villas-Bôas, os Mehinako vivem na reserva do Parque do Xingu, conservam a
floresta retirando dela tudo que necessitam, com respeito, reverência e
harmonia. Mas se preocupam com a atual devastação, que provoca o
assoreamento do o rio e compromete a oferta de peixes, não mais tão
abundante. |
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Idália Almeida e Ricardo Young a caminho da aldeia contemplam
a paisagem do rio Kurisevo

Crianças brincam na praia do Rio Kurisevo simulando a festa
da Taquara
Preparo do beijú, base da
alimentação da aldeia

Luta "Capi" praticada pelos meninos
para se fortalecerem, similar ao jiu-jitsu
Cacique Iahati

Paisagem de buritis, palmeira mais usada
nos artefatos |