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Infelizmente para os Waurá, algumas das argilas mais cobiçadas pelos seus artistas estão hoje praticamente fora de seu alcance. Ocorre que quando foi delimitado o Parque Indígena do Xingu,
foi deixado de fora parte significativa de seu território tradicional. Essa área inclui a Kamukuaka, uma caverna sagrada do cerimonial Waurá, localizada ao lado de uma queda d'água no rio
Batovi-Tamitatoala
A caverna Kamukuaká é uma abertura misteriosa ao lado de uma grande cachoeira no rio Batovi como uma boca aberta no solo que ficava escondida pela mata. Para os Waurá, Kamukuaká é um
espírito, que surgiu muito antes do mundo existir e da criação dos homens. Foi um grande chefe que enfrentou a ira de Kãma, o sol, que tomou a forma de gente e morava num buraco situado no rio Batovi, na
margem oposta do lugar onde fica a caverna. A história relata que Kãma, com inveja da beleza e força de Kamukuaká, decidiu acabar com ele flechando suas orelhas e dos outros índios. Depois disso o líder
foi levado para a caverna onde ficou por duas semanas com seu povo. Kãma resolveu prender a todos e ordenou que periquitos os comessem. Kamukuaká deu comida aos pássaros e pediu que eles abrissem um
buraco. Logo depois o chefe e seu povo conseguiram se libertar por esta abertura.
Da mitologia da Kamukuaká surgiu o ritual da furação de orelhas, comum nos povos do Xingu.
Felizmente o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural Nacional - Iphan tombou em 2003, a caverna de Kamukuaká como a primeira caverna brasileira, patrimônio cultural brasileiro de
importância etno-cultural.
Outro aspecto importante da cultura waurá é a visão de guerra, tida como uma degradação humana. Explica a lenda: "O sol oferece um rifle ao ancestral aos Waurá, mas a pessoa vira o objeto em
suas mãos, sem saber para que serve. O sol tira o rifle e oferece-o ao ancestral dos guerreiros, que vivem ao norte da tribo. Esse índio também não sabe o que fazer com o objeto. O sol oferece-o então ao
ancestral do homem branco. O homem branco imediatamente leva o rifle ao ombro e atira várias vezes, marcando sua posse da tecnologia superior que será sua. O sol dá arcos de madeira aos índios, que ficam
satisfeitos. Depois o sol passou uma caneca, pedindo a todos que bebessem seu conteúdo. O ancestral dos Waurá aproximou-se, mas viu que a caneca estava cheia de sangue. Recusou-se então a beber. Mas
quando a caneca foi oferecida ao guerreiro, ele bebeu dela com sofreguidão. É por isso que os homens brancos e os guerreiros indígenas são hoje tão violentos, por que gostam do gosto do sangue. Aos waurá
terminou por ser oferecida uma caneca de mandioca. Por isso não são pessoas violentas".
Os alto xinguanos bebem no lugar da água, uma água misturada com a farinha de mandioca.
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